Jules Gaubert-Turpin
Jules Gaubert-Turpin
Andréa Postiga
Andréa Postiga

Documentário "Mais uma Taça?", produzido pelo documentarista Jules Gaubert-Turpin em parceria com a sommelière brasileira Andréa Postiga, foi apresentado em festival de cinema da Borgonha

Quando o francês Jules Gaubert-Turpin decidiu passar um ano no Brasil não tinha ideia de que se produzia vinho no País. Ficou louco quando descobriu e achou que o assunto valeria um filme.

Com a ajuda da advogada e sommelière gaúcha Andrea Postiga, ele produziu o documentário Mais uma Taça? (confira o vídeo na íntegra abaixo), que versa sobre o nascimento da produção e os caminhos que ela seguiu no Rio Grande do Sul, como chegou a Pernambuco e o que o maior mercado consumidor, São Paulo, pensa do que é feito aqui.


Entrevista com Jules Gaubert-Turpin

O francês conversou com o Paladar sobre o projeto e os vinhos brasileiros.

  Por que um francês resolve fazer um documentário sobre o vinho brasileiro?

Quando decidi passar um ano no Brasil, não queria ficar nas praias do Rio de Janeiro bebendo cachaça. Preferi descobrir uma parte menos conhecida do País. Soube que havia vinhedos no Sul e que quase ninguém no Brasil bebe vinhos nacionais e achei meu assunto: busquei pessoas de diferentes idades, cidades e trabalhos para contar essa história. E encontrei a maioria dos entrevistados durante a viagem. 

  Sua opinião sobre os vinhos brasileiros mudou após a produção do filme?

Não tinha preconceito antes de iniciar esse trabalho. Acho que os espumantes são ótimos e vão, com certeza, ter um futuro brilhante no mundo inteiro. Já os tintos, acho que deveriam fugir dos códigos estabelecidos pelos produtores tradicionais como França e Itália e buscar variedades que vão bem com o clima local. O maior problema é que beber vinho não faz parte da vida cotidiana no brasileiro.

  Por que decidiu pela bicicleta?

Durante a produção, eu não tinha carro ou dinheiro para alugar um. E como não há ônibus nas regiões vinícolas, a bicicleta surgiu como a melhor opção. Uma loja em Porto Alegre me emprestou uma bicicleta de graça e viajei.


Entrevista com Andréa Postiga

A advogada e sommelière Andréa Postiga, que co-produziu o documentário, foi a responsável por delimitar as regiões visitadas e os entrevistados. Ela faz mestrado profissional em Direito do Vinho em Reims, região de Champagne.

  Mergulhar no assundo para fazer o documentário mudou sua visão do vinho brasileiro?

Sou uma grande entusiasta do potencial do vinho brasileiro. Costumo dizer que o vinho brasileiro está em fase de formação de sua personalidade. Penso que ainda temos um longo caminho a trilhar no controle e nivelamento da qualidade. Para tanto, é fundamental o desenvolvimento de uma regulamentação mais firme e específica nos níveis local e internacional. Dispomos de excelentes e diversificados terroirs. As técnicas vem se aprimorando, assim como os cursos de formação. Acredito que exista muita paixão envolvida, mas ainda é preciso fazer com que o produto conquiste o mercado nacional e seja reconhecido e respeitado no estrangeiro.

  Acha que algo ficou de fora?

Poderíamos ter abordado a região de Santa Catarina. Temos excelentes exemplares de vinhos típicos de regiões mais frias vindos de lá. Trata-se de um terroir bastante favorável para a produção de vinhos brancos, e alguns rosés interessantes e criativos têm vindo de lá. Foi aliás onde se produziu o primeiro vinho de gelo brasileiro, em razão das condições climáticas favoráveis.

  Por que se toma tão pouco vinho brasileiro no Brasil?

Nos últimos anos, o mercado brasileiro tem visto uma avalanche de vinhos latino-americanos que apresentam preços competitivos em razão da escala em que são produzidos. O importante é que tenhamos consciência de que o Brasil também é um país produtor. Muitos sequer provam o vinho brasileiro. Há ainda um vasto trabalho a ser feito em termos de quebras de paradigmas e preconceitos. No plano internacional, resta buscar credibilidade e demonstrar seriedade, o que vem sendo feito aos poucos nos concursos, degustações às cegas, feiras e eventos pelo mundo inteiro.

  O Documentário

 

  Conheça algumas vinícolas
- Dal Pizzol Vinhos Finos;
- Casa Valduga;
- Vinícola Geisse.

Fonte: Estadão - Paladar (http://vinho.one/Wh59y)
Por Isabelle Moreira Lima. Fotos: Reprodução


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