O que esperar de um vinho que passou 151 anos no fundo do mar?
O que esperar de um vinho que passou 151 anos no fundo do mar?
O que esperar de um vinho que passou 151 anos no fundo do mar?
O que esperar de um vinho que passou 151 anos no fundo do mar?

O aspeto não era prometedor e o veredicto acabou por ser unânime: o vinho que estava dentro de uma garrafa recuperada de um naufrágio que aconteceu há 151 anos sabia sobretudo a... água salgada.

A garrafa foi encontrada intacta há quatro anos, nos destroços de um navio naufragado em 1864, durante a Guerra Civil Americana, ao largo da costa das Bermudas. Um painel de peritos abriu-a e provou o vinho na sexta-feira, durante um festival de gastronomia em Charleston, no estado norte-americano da Carolina do Sul.

  Segundo a agência Reuters, a apreciação geral foi de que o líquido na garrafa tinha um travo forte a "água salgada e gasolina". Aparentemente, 151 anos de maturação são demasiados, ainda que o Paul Roberts, um dos especialistas presentes, tenha sublinhado que não era a primeira vez que provava vinho encontrado nos destroços de um barco afundado. "Os vinhos podem ser ótimos", sublinhou. Mas não terá sido o caso.

Apesar de a garrafa estar intacta, o vinho transformou-se num líquido cinzento, muito pouco apelativo, que cheirava a uma mistura de água salgada, gasolina e vinagre, com um toque de álcool e citrinos. Poderá ter sido um vinho espanhol ou uma bebida espirituosa, mas hoje é sobretudo água do mar, admitiram os escanções chamados ao evento que a organização decidiu nomear com a solenidade que a ocasião exigia: "Das Profundezas: Um festival de vinho que levou 150 anos para ser realizado".

  O vinho estava numa das cinco garrafas que foram recuperadas do Mary-Celestia, um navio a vapor que se afundou em circunstâncias misteriosas durante a Guerra Civil Americana. O barco estava saía das Bermudas, carregado com mantimentos, quando bateu contra um recife e naufragou em cerca de seis minutos, explicou a Reuters Philippe Rouja, antropólogo cultural e conservador dos destroços de navios históricos do governo das Bermudas. Até hoje, não se sabe se o naufrágio foi provocado ou acidental.

Philippe Rouja e o seu irmão Jean-Pierre Rouja encontraram a garrafa em 2011 e que foi aberta na sexta-feira, tendo as restantes sido recuperadas por outros mergulhadores que trouxeram, inclusive, frascos de perfume, sapatos de senhora, escovas de cabelo e botões de pérolas.

Em 2015, assinalam-se os 150 anos do final da Guerra Civil Americana, que começou em 1861 e terminou em 1865. O início do conflito teve lugar precisamente no porto de Charleston, onde um século e meio depois os escanções tentaram apreciar o vinho das garrafas que chegaram intactas aos nossos dias.
 

  Acompanhe o video da expedição do Mary-Celestia:
 



Fonte: DN Globo (http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4440484&page=-1)
OBS.: Este texto passou por revisão para o Português Brasileiro e sofreu modificações estruturais.


Comentários