Vinícola brasileira produz vinho experimental com mais de 50 tipos de uva
Ecomuseu
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A Dal Pizzol, em Bento Gonçalves, tem a 3ª maior coleção privada de castas no mundo com 400 variedades de 30 países; as garrafas não são comercializadas

  Tomar um vinho elaborado a partir da mistura de dezenas ou até centenas de castas não é uma experiência rotineira, em nenhum lugar do mundo. No Brasil, no entanto, é possível. A Vinícola Dal Pizzol, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, tem uma das maiores coleções privadas de uvas do mundo – são cerca de 400 variedades de mais de 30 países dos cinco continentes, sendo 350 em plena produção – e produz todo ano o VINUMMUNDI, um tinto feito com inúmeras castas (o número varia a cada safra). Apenas algumas centenas de garrafas são produzidas anualmente e a bebida não é comercializada.

  Vino Emporium: Conheça os vinhos da Vinícola Dal Pizzol disponíveis em nosso banco de dados.

O projeto, chamado de Vinhedo do Mundo, foi criado em 2011 e tem finalidade cultural e turística. “Temos uvas do Cáucaso, de onde a videira teria sido originária de países como Geórgia, Armênia, Hungria, Bulgária e Romenia. São variedades exóticas e praticamente desconhecidas no mundo ocidental porque, até não muito tempo atrás, estavam fechadas dentro da União Soviética”, explica Rinaldo Dal Pizzol, responsável pelo projeto.

A vinha é aberta para visitação e, no verão, os turistas podem participar da colheita simbólica. As uvas colhidas são usadas para fazer algumas dezenas de garrafas do tinto VINUMMUNDI (vinho do mundo, em latim), que todo ano são degustadas por um seleto grupo de convidados.

Em 2016, o vinho foi elaborado com 46 castas diferentes. Em 2015 tinham sido 165. O número varia porque as uvas têm tempo de maturação diferentes, entre novembro e abril, o que torna difícil colher todas no ponto adequado. A safra de 2017 ainda não foi produzida e estará disponível só em 2018.

De acordo com a empresa, o vinhedo, que se estende em uma pequena porção de território da vinícola (0,7 hectares), é a maior coleção privada de castas da América Latina e a terceira no mundo. “Existem coleções maiores em estações experimentais em que as variedades são ‘virtuais’, ou seja, estão em vidro. Aqui não, a videira está plantada e produzindo”, explica Dal Pizzol.

O projeto surgiu como um atrativo turístico, mas recebe também visitas de alunos e professores de centro de pesquisas de biologia e botânica.

Ecomuseu

Outro atrativo cultural da vinícola é o Ecomuseu da Cultura do Vinho, acervo que reúne utensílios e equipamentos de trabalho nas vinhas, que revela e resgata o estilo e os hábitos de vida das primeiras gerações de imigrantes italianos que começaram a cultivação da videira na Serra Gaúcha. O espaço conta com fotos, documentos e centenas de garrafas de vinhos locais e estrangeiros de várias épocas.

Fonte: Gazeta do Povo (http://vinho.one/ntAmy)
Por Andrea Torrente. Foto 1: Dal Pizzol/Divulgação. Foto 2: Andrea Torrente/Gazeta do Povo


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