Borbulhas pelo mundo

Curiosidades sobre o espumante

Um colar de pérolas se expande em mousse pelo paladar e aparece em nossas vidas nos momentos comemorativos. Do que falo? De espumantes que nos emocionam e fazem história.

O mais importante é o aristocrático champanhe, o vinho da região de Champagne, na França. Por ser de nobre estirpe, produzido pelo método champenoise (ou tradicional), tem alto custo.

  Para entender esse método, imagine uma orquestra sinfônica. O maestro é o enólogo, que reunirá excelentes músicos (terroir, videiras e uvas especiais), produzirá partituras únicas (vinhos) e, em seguida, iniciará o processo de mescla por escalas (o assemblage), onde cada instrumento dará um efeito sedutor para a obra musical que chegará aos nossos ouvidos. O arremate é dado com uma segunda fermentação na garrafa; o remuage, que consiste no giro dos vasilhames para a decantação dos sedimentos (posteriormente congelados no gargalo e retirados); e finalmente a adição do licor de expedição, que define o estilo de espumante, de seco a doce.

Outros países também produzem espumantes com essa técnica, como o Brasil, a Espanha e a Itália, de onde vem o Franciacorta. Fabricado por um consórcio de 105 vinícolas, o vinho viajava pouco. Aqui no Brasil, chegaram primeiro os rótulos Ca’del Bosco e Bellavista. Como o preço era semelhante ao do champanhe, poucos consumidores ousavam comprá-lo.

Em minhas pesquisas, entrevistei um importador que declarou que o solo rochoso da Lombardia, região do Franciacorta, é terreno para raízes robustas. Por isso, alguns produtores utilizam a base da raiz da ameixeira e implantam a videira na parte superior, assim conseguem ultrapassar as camadas mais profundas da rocha e conduzir melhores princípios ativos à videira. As preciosas garrafas de Franciacorta Riserva podem levar até 67 meses para sair da cave. Depois de descobrir esse segredo, provar um Franciacorta é quase obrigatório.

Mas saiba também que os brindes podem ser mais democráticos. Existem outros métodos de produção de espumante que saem mais em conta, como o Charmat, utilizado no Prosecco italiano, muito popular entre os brasileiros, e em vários outros espumantes com borbulhas para o nosso dia a dia. Conhecer essas regras de vinificação e exercitar a curiosidade vão lhe garantir muitas garrafas para festejar a vida.


Fonte: Casa e Comida (http://vinhos.me/qOXrf)
Por Eliana Araujo. Foto: ForWallpaper (Divulgação)


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