Argentina: Mendoza deve mudar produção massiva de vinho para voltar à rentabilidade, diz governador

  Os produtores argentinos de uvas para vinhos de baixa qualidade e produção em massa devem elevar o padrão, criar novos produtos ou passar para outras frutas e verduras a fim de voltar a ter lucros, disse o governador da província de Mendoza, Francisco Pérez.

Uma queda no consumo de vinho em caixa e o excesso da produção de uva mantiveram inalterado o preço pago aos produtores durante os últimos três a quatro anos, em meio a uma inflação superior a 20 por cento, disse o governador, em uma entrevista em seu escritório na capital do estado, a cidade de Mendoza, depois de organizar o festival anual da colheita. Só na província de Mendoza, os estoques chegaram a 200 milhões de litros, disse ele.

"Em um setor competitivo de bebidas, ninguém está bebendo esse vinho de baixa qualidade", disse Pérez, membro da coligação de partidos no governo. "Fazer um vinho que ninguém quer é um problema estrutural".

  As exportações mais bem-sucedidas da Argentina, dos fortes vinhos tintos Malbec até os espumantes, estão se saindo bem, ao passo que os vinhos mais baratos estão concorrendo com águas com sabor de fruta e refrigerantes, o que está causando uma queda do consumo, disse Pérez. De 1 bilhão de litros de vinho produzidos na Argentina no ano passado, 70 por cento foi de baixa qualidade, que é difícil de exportar e está se acumulando nos estoques. A província de Mendoza é dona da quarta maior quantidade de estoques de vinho no país, disse Pérez.

"O Estado não pode continuar subsidiando", disse ele. "Como província, não deveríamos comprar e vender vinhos e muito menos vinhos de má qualidade".

Juntos, o vinho, o turismo, o comércio e a gastronomia têm um peso na economia da Mendoza similar ao do setor de petróleo e gás, que representa cerca de 28 por cento do PIB regional, disse Pérez.
 

'Produtor falido'

Durante um evento em que Pérez compareceu no sábado, em Mendoza, Hilda Wilhelm de Vairetti, presidente da Associação de Viticultura da Argentina, disse que a inflação e a cotação excessivamente valorizada do peso são os principais responsáveis pela crise.

Um homem na multidão presente no hotel Hyatt, no centro de Mendoza, empunhava um cartaz que dizia "produtor falido".

A província tem trabalhado com alguns produtores de uva para plantar açafrão, cerejas e até amendoeiras em vez de uvas. Muitos deles não contam com apoio financeiro para produzir uvas de alta qualidade para exportação, como as que são cultivadas no Vale de Uco.

Os vinhos espumantes também representam uma oportunidade, porque seu consumo cresceu 40 por cento nos últimos doze meses, com um incremento de 30 por cento das exportações no mesmo período, disse Pérez.

"Conseguimos promover vinhos de alta qualidade e desenvolver a marca Malbec internacionalmente, mas agora precisamos inovar mais", disse Pérez. "Se você sair com uma mulher, pague-lhe uma taça de champanha, porque se você lhe der uma taça desse vinho", disse ele segurando um vinho de caixinha, "ela vai jogá-lo na sua cabeça".

 

Fonte: UOL (http://vinhos.me/91HZ2)
Título em inglês: 'Argentina's Mendoza Must Change Bulk Wine Production, Perez Says'
Por 
Daniel Cancel/Bloomberg
Foto: Divulgação


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