Setor vitivinícola cresce 4,6% em vendas no primeiro semestre

Após um período de estabilidade nas vendas dos produtos vitivinícolas, o setor comemora a retomada do crescimento na comercialização para o mercado interno. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) mostram que, apesar do momento econômico de retratação em diversos segmentos, os vinhos, sucos, espumantes e outros produtos derivados da uva registraram um crescimento de 4,6% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014. 

  Os vinhos de uvas viníferas (vinhos finos), por exemplo, apresentaram um crescimento de 4,3%, com a comercialização de 9,1 milhões de litros. Nos vinhos de mesa, os números se mantiveram estáveis, com a venda de 90,7 milhões ante os 90,8 milhões no ano anterior. Somando vinhos finos e espumantes, foram comercializados 14,1 milhões de litros, um crescimento de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, as importações caíram 1,9%.

O presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Moacir Mazzarollo, avalia que a visibilidade dos produtos vitivinícolas brasileiros com a divulgação na mídia nacional impulsionaram a comercialização no primeiro semestre. "Tivemos a divulgação em nível nacional de diversas pesquisas científicas que comprovam os benefícios dos derivados da uva para a saúde e observamos um aumento nas vendas a partir disso", acredita. Mazzarollo também cita a alta do dólar como um fator que limitou a entrada de produtos importados e, consequentemente, uma maior procura pelo vinho nacional.

Seguindo a tendência dos últimos anos, os espumantes e o suco de uva voltaram a apresentar crescimento de vendas. Nos espumantes em geral, um incremento de 22,7%, com a venda de 4,9 milhões de litros. Foram vendidos 3,8 milhões de litros de espumantes brut, demi-sec e prosecco, 23,3% a mais do que o registrado em 2014, e 1,1 milhão de litros de moscatéis, aumento de 20,9%.

O presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho), Oscar Ló, comemora a retomada do crescimento e credita o resultado, entre outros fatores, à qualidade cada vez maior dos produtos. "Apesar de uma certa retração na economia, o setor seguiu investindo em tecnologia, equipamentos e na remuneração da matéria-prima e o consumidor está reconhecendo este salto de qualidade", diz. Ló destaca o aumento significativo dos espumantes e do suco de uva como um reflexo da descoberta da vocação vitivinícola da Serra Gaúcha, maior região produtora do país em volume, para as uvas destinadas à elaboração destes dois produtos.

A opinião de Ló é amparada nos resultados da venda dos sucos 100% naturais prontos para o consumo, que apresentaram um crescimento de 24,8%. 49,4 milhões de litros foram comprados pelo público cada vez mais interessado em produtos saudáveis. Prova disso, é que o destaque é de procura pela bebida natural/integral, com aumento de 25% e 45,3 milhões de litros vendidos.

O presidente do Sindicato da Indústria do Vinho, do Mosto de Uva, dos Vinagres e Bebidas Derivados da Uva e do Vinho do Rio Grande do Sul (Sindivinho), Gilberto Pedrucci, enaltece a mudança de comportamento dos consumidores em relação aos produtos vitivinícolas nacionais, que resulta em números positivos mesmo num cenário econômico pouco favorável. "O consumidor tem se mostrado cada vez mais receptivo ao vinho brasileiro e está percebendo a relação custo-benefício dos nossos produtos", acredita. "Tenho observado uma certa seleção natural e uma acomodação no mercado de vinhos, com alguns importadores que não estavam tão preparados deixando de atuar, e da consolidação de vinícolas brasileiras com produtos cada vez melhores e mais competitivos", complementa.

  Para o presidente da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Evandro Lovatel, a queda das temperaturas, aliada à exposição dos benefícios da uva e seus derivados na mídia, contribuiu para o aumento no consumo. "É preciso despertar ainda mais o interesse do consumidor, reforçar o aspecto saudável do suco de uva e do vinho e trabalhar para que alguns gargalos como a Substituição Tributária sejam amenizados", diz. O dirigente acredita que ainda existe espaço para aumentar a venda de sucos, devido às restrições do consumo de álcool, de tendências de mercado por produtos saudáveis e pela qualidade da bebida.


Fonte: Investimentos e Notícias (http://vinhos.me/Y60QU)
Por Marina Shimamoto. Foto: Adega Zimmermann Delikatessen/Divulgação


Comentários