Preenchendo a lacuna Whole Foods

“Enquanto os consumidores modernos estão preocupados com a origem de sua comida, sutilmente olham a fonte do espinafre orgânico, a preocupação é esquecida quando se trata de vinho.”
Estas palavras foram ditas numa discussão sobre acessibilidade em The New California Wine, o livro recém-lançado de Jon Bonné, editor de vinho do San Francisco Chronicle. É o que ele chama de lacuna Whole Foods.
Como explica, “a maioria dos consumidores, mesmo se frequentam as mercearias de luxo, são obcecados pelas as origens de seus alimentos, mas simplesmente não se importam sobre de onde vem o seu vinho ou como foi cultivado.”
Os números comprovam.
Avalie as vendas de alimentos orgânicos. Estão disparando. Em 2012, de acordo com dados do governo, as vendas de alimentos orgânicos aumentaram 7.4% em relação ao ano ano anterior – o dobro da média de crescimento de venda geral de alimentos. Desde 1990, a quantidade de terras nos EUA dedicadas ao cultivo de vegetais e gado orgânicos quadruplicou.
A carne e os produtos orgânicos geralmente custam o dobro do preço dos concorrentes. Mas os americanos estão começando a se interessar em saber de onde vêm seus alimentos. Então, estão afastando-se de calorias industrializadas e indo para produtos que evitam pesticidas e valorizam a sustentabilidade, mesmo que isso signifique pagar mais.
Com o vinho, entretanto, os americanos ainda bebem qualquer coisa, sem se importar com os recursos ou com a produção. A média de uma garrafa de vinho nos Estados Unidos é vendida por apenas $6.22. Nove entre dez garrafas vendidas custam menos de $12.
Vejam o Whole Foods. Enquanto compram galinhas criadas fora das gaiolas, ovos orgânicos e queijos artesanais, os consumidores têm à disposição pilhas de vinhos Three Wishes. Vendidos a $3, são produzidos para a Whole Foods pelo Wine Group, a segunda maior empresa de vinhos do país.
Vinhos como estes beneficiam-se da economia de escala. Mas também recorrem a uma série de truques de vinificação.
Aquele aroma de carvalho? Normalmente não é de barris, mas sim de lascas de carvalho e serragem jogadas no vinho. A suculência é frequentemente o resultado de adições ácidas. O peso e a textura do vinho barato pode vir da engenharia dos concentrados para preencher as lacunas. É o melhor vinho através da química.
As uvas destes vinhos são cultivadas no vasto Central Valley da Califórnia, onde os produtores fazem irrigação e usam regularmente químicos para manter a alta saída. Com a Califórnia enfrentando uma de suas piores secas da história, a sustentabilidade destes métodos fica sob escrutínio.
Isto não quer dizer que vinhos baratos sejam inevitavelmente ruins. Há opções satisfatórias disponíveis por menos de $10. Mas gastando tão pouco é quase certo que você beberá um vinho industrializado.
“Não acho que devemos ser confrontados com a opção de cultivo cuidadoso com uvas caras em terras valorizadas, ou uvas cultivadas quimicamente em vinícolas industriais, como as únicas opções,” observou Bonné. “Acho que há espaço para um meio termo onde é possível cultivar uvas de maneira honesta para um vinho de mesa.”


Fonte: Achei USA (http://www.acheiusa.com/acheiusa/arquivo/0539/achei-colunistas-david.asp)
Por David White. Foto: Site HallPic


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