Vinhos: o poder da escolha

Os primeiros meses do ano são sempre carregados de um desejo de mudanças pessoais e de comportamento. No mercado de consumo, a transformação já chegou. O mundo do vinho atravessa um período em que o poder de escolha do cliente muda de forma radical, e os produtores correm para compreender esses novos degustadores. Hoje o comprador anda armado de celulares e tablets; sua munição são sites especializados, sites de cotação de preços, aplicativos de seleção de vinhos e lojas virtuais. Por meio deles é possível comparar qualidade, custo, pontuações e críticas.

Na realidade, desde a década de 1970 o mercado de vinhos vive um constante renascimento. Pequenos empreendimentos foram tomados por grandes investidores. As grandes indústrias utilizam o jogo de sedução do marketing, e muitas microvinícolas tornaram-se altamente tecnológicas. O vinho de grande consumo virou padrão – e não pense que isso é o fim do mundo. A reação veio como movimento dos vinhos orgânicos e biodinâmicos, a partir do resgate de pequenos produtores e do respeito aos processos naturais da videira. O saldo é um mar de vinhos disputando o mercado palmo a palmo.

Os preços foram inflacionados entre os vinhos de grande expressão, e rótulos de consumo ligeiro acompanharam essa alta.Emcontrapartida, o consumidor começou a se posicionar, não aceitando os preços abusivos. Vivemos uma época instigante, em que não basta ter qualidade. Convencer o degustador  de que o vinho vale o quanto se cobra fará a total diferença.

Começa agora a temporada de feiras e eventos, como a Expovinis, em São Paulo. Minha dica: inscreva-se nos sites de importadoras, fique atento aos pequenos produtores – deles virão excelentes surpresas –, esteja aberto a novas regiões vinícolas e a uvas desconhecidas. Na disputa pelo mercado consumidor, ganhará quem entender a nova mentalidade da clientela. Além dos compradores no topo da pirâmide, há milhões de pessoas sedentas para conhecer o sedutor mundo de Baco.


Fonte: Revista Casa e Jardim (http://vinhos.me/bFKQ5)
Por Eliana Araujo
Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA


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