Região da Chapada Diamantina na trilha da produção de vinhos

  Em 2022, será possível ter em casa vinhos de alta qualidade feitos com uvas colhidas a cerca de 400 quilômetros de Salvador. Pelo menos é essa a perspectiva do Projeto de "Avaliação Técnica e Econômica de Videiras Viníferas e de Culturas de Clima Temperado em Morro do Chapéu", que já caminha a passos largos na Chapada Diamantina.

Implantada em 2009, com apoio da Embrapa, governo do Estado e prefeitura do município, a iniciativa conta com a cooperação técnica da Cave Coopérative Des Riceys, da região de Champagne, na França, para alcançar o topo na escala da qualidade.

No último sábado, dia em que a cidade esteve em festa por conta de seu 106º aniversário, o presidente da Riceys, Christian Jojot,  foi conferir in loco os resultados alcançados pelo projeto, que já rendeu três safras.


Aposta no espumante

"Nós plantamos aqui 10 variedades de uvas da França, através de um importador de Minas Gerais. Das 10, dá para ver que algumas não se adaptaram. Mas outras, como Chardonay e Pinot Noir são interessantes para fazer espumante. Já a Syrah e Cabernet Sauvignon podem ser usadas para vinhos tintos", avaliou, enquanto saboreava uma taça de espumante produzido ainda de modo experimental.

"Está tudo no início, é tudo muito novo. A videira precisa de tempo. Mas o futuro é promissor. Essas variedades estão produzindo bem e o espumante permite dizer que tem um potencial muito grande para a região", acrescentou.

Para se comunicar com os baianos, Jojot contou com a ajuda de Giuliano Pereira, pesquisador da Embrapa de Petrolina, que explicou porque a instituição está otimista.

"É uma região tropical de altitude, estamos a 1.100 metros. O clima é interessante, não é tão quente quanto Petrolina, nem frio como em Bordeaux. E nos chamou atenção a amplitude térmica ao longo do ano. Faz frio à noite, calor durante o dia", enumera Pereira.

  "O clima está sendo muito bom, o solo muito interessante e os vinhos estão apresentando tipicidade. Isso é que é importante. Os vinhos de Morro do Chapéu são diferentes dos de Petrolina, Bento Gonçalves ou Califórnia. Ou seja, estão apresentando uma identidade regional. É isso que se busca no mundo dos vinhos", diz o pesquisador.


Sete anos

O pesquisador aproveita para fazer suas contas. "Estamos no terceiro ano e na Europa se diz que vinho bom se faz a partir de dez, então faltam sete. O futuro é promissor para a produção de vinhos de alta gama. E esperamos que isso tenha repercussão no Brasil e também no exterior".

Enquanto aguarda a próxima colheita, programada para o mês que vem, o projeto de Morro do Chapéu já está sendo replicado para a iniciativa privada no município de Mucugê, em uma área de 30 mil hectares, mesmo tamanho da área plantada na região de Champagne, na França.


Fonte: A Tarde (http://vinhos.me/TZhCb)
Por Daniela Castro. Foto: Margarida Neide/Ag. A Tarde


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