Vinho traz benefícios, mas deve ser consumido com responsabilidade

Reunião de substâncias faz do vinho uma bebida que pode trazer uma série de benefícios para o ser humano. Com o consumo adequado, ele pode melhorar os sistemas nervoso e cardiovascular.

Flavonoides e taninos. Resveratrol e antioxidantes. Entre nomes não tão familiares à primeira vista, a comprovação de que o vinho faz muito bem à saúde. “É uma bebida benéfica desde que se faça o consumo com responsabilidade”, afirma Francisco Chaves, instrutor de Gastronomia e Hospitalidade no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-CE) e sommelier. Entre os especialistas, a divergência sobre a dosagem ideal é entre uma e duas taças diariamente. “Mas não adianta acumular tudo para o fim de semana”, frisa o médico anestesista e enófilo Rômulo Lôbo, diretor financeiro da Associação Brasileira de Sommeliers Ceará (ABS-CE) e da Associação Cearense dos Amantes do Vinho (Acav).

  São os polifenóis (substâncias com propriedades terapêuticas naturais encontradas em plantas) que vêm da uva os responsáveis por boa parte dos benefícios do vinho. No Sistema Nervoso Central (SNC), eles atuam melhorando a circulação sanguínea no cérebro e retardando o envelhecimento neuronal, explica Rômulo. Como resultado, a diminuição do risco de demência e a prevenção do Mal de Alzheimer. Levando em conta a maior concentração da substância, o vinho tinto é o mais indicado, afirma.

“O vinho é bom para a saúde e para a mente, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico”, ressalta o anestesiologista. Como exemplo, ele cita que a experiência com a bebida traz estímulos a quatro dos cinco sentidos: visão, paladar, olfato e até a audição. Alguns enólogos, de acordo com Rômulo, conseguem identificar características do produto de acordo com o barulho que faz na taça. “Dependendo do vinho, se ele cai mais ‘grosso’, é mais encorpado, por exemplo”.


Sistema Cardiovascular

  Cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ricardo Pereira cita o “paradoxo francês” como exemplo dos benefícios que o vinho pode trazer para o sistema circulatório. Apesar de ter uma população que ingere grandes quantidades de gorduras saturadas, fuma e é sedentária, a França tem um pequeno índice de mortes por doenças cardíacas, e uma das razões para isso pode ser o consumo de vinho. “Os flavonoides (composto da classe dos polifenóis presente na bebida) têm uma série de benefícios no sistema cardiovascular, como a dilatação dos vasos, que diminui a pressão arterial. Ele também retarda o aparecimento de placas de gordura que podem impedir a circulação”.

Tais propriedades do vinho já o tornam a melhor entre a variedade de bebidas alcoólicas, comenta o professor, mas o fato de ser uma delas já traz efeitos positivos. O álcool, em quantidade moderada, tem atuação contra doenças coronárias, ele explica. Pela associação das duas características, o vinho pode ser colocado melhor, inclusive, que os sucos concentrados, que contêm as mesmas características provenientes da uva.

Estresse, poluição, ingestão de corantes e conservantes estimulam a produção de radicais livres, que danificam células sadias do corpo. O resveratrol, presente na uva roxa da qual é produzido o vinho tinto, é um eficiente antioxidante, explica a nutricionista funcional Carla Laprovítera. “Por isso que ele também é um produto antienvelhecimento”. No consultório, ela comenta, a indicação é de que, se for o caso de ingerir alguma bebida alcoólica, que ela seja o vinho. “Ele é o único que traz benefícios”.


Fonte: O Povo (http://vinhos.me/zQCaT)
Por Mariana Freire. Foto: Divulgação


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