Foto: Twitter de Hassan Rouhani
Foto: Twitter de Hassan Rouhani
Os presidentes da França e do Irã acompanham a assinatura de acordos econômicos entre os dois países, sem direito a brinde para celebrarem os negócios
Os presidentes da França e do Irã acompanham a assinatura de acordos econômicos entre os dois países, sem direito a brinde para celebrarem os negócios

Um almoço de chefes de Estado demora meses a ser discutido e pode acabar sem comida na mesa. Foi o que aconteceu durante a visita à França do presidente do Irã, recebido esta quarta-feira (28) no Palácio do Eliseu. Rouhani até poderia ter almoçado com Hollande, mas este anunciou há mais de dois meses que não abdica do direito de servir vinho no seu país. Sem banquete, só falaram de negócios... e à tarde

Mhammad Javad Zarif, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, é um homem atento à crescente importância do Twitter e das redes sociais. No final do primeiro dia da visita do presidente Rouhani à França, Zarif twettou: “A visita do Presidente do Irã à França ilustra o poder da diplomacia, e uma nova era de cooperação mutuamente benéfica na economia, política e cultura”.

Rápido, contemporâneo, Zarif foi direito à importância dos negócios que unem François Hollande e Hassan Rouhani: a assinatura de um contrato para a compra de 114 aviões Airbus, esta quarta-feira em Paris, foi um dos pontos mais importantes da visita de Rouhani à França.

Bons negócios não fazem bons almoços
Diz-se que as boas contas fazem os bons amigos, mas esta visita oficial do presidente iraniano à França vem provar que os bons negócios podem acabar com os bons almoços. Mesmo quando a ementa destes começa a ser discutida pelo protocolo de Estado dos dois países com três ou mais meses de antecedência.

Quatro dias antes dos atentados de Paris de 13 de novembro, a imprensa francesa e internacional relatou um incidente protocolar na preparação da visita de Rouhani à França. Os planos iniciais previam que Hollande tivesse oferecido um almoço no Eliseu ao presidente iraniano e comitiva mas... há um mas, Hollande não esteve disposto a ceder à exigência alimentar feita pelo Irã.

Afasta esse cálice François
O presidente do Irã não consome bebidas alcoólicas, em respeito aos fundamentos do Islão. O problema é que além de não beber, também pediu – ou pelo menos o protocolo iraniano pediu – que não fosse servido álcool durante o almoço de Estado que chegou a estar previsto.

Os iranianos tinham feito um pedido idêntico ao protocolo de Estado italiano, e tanto o presidente Sergio Mattarella, quanto o primeiro-ministro Matteo Renzi concordaram em não servir vinho no almoço e jantar.

  Hollande não cedeu aos ajustes, e fez questão de manter o tradicional empenho do protocolo de Estado francês que passa pela oferta de uma seleção dos melhores vinhos franceses durante os almoços e jantares oficiais.

Os iranianos entenderam que não deveriam estar presentes numa refeição onde iria ser servido vinho. E a verdade, é que já a 9 de novembro do ano passado, a França anunciara que o encontro entre os dois Chefes de Estado se limitaria a uma reunião de trabalho... que aconteceu nesta quinta-feira.

Fonte: Expresso (http://vinhos.me/HoNkG)
Por Manuela Goucha Soares. Foto: Stephane de Sakutin/EPA
OBS.: Este texto passou por revisão para o Português Brasileiro.


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