Bons vinhos precisam de boas mudas, aponta Epamig

Epamig vai oferecer 50 mil unidades de bordô, syrah, cabernet e niágara para interessados na produção da uva voltada para mesa, sucos ou bebidas sofisticadas. Enxertia garante qualidade

  A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vai disponibilizar para comercialização, a partir de agosto, cerca de 50 mil mudas de videiras para produção de uva de mesa, suco e vinho. As mudas são feitas a partir de uma técnica francesa adaptada pela Epamig para a realidade brasileira. Os produtores terão acesso a mudas de uva niágara rosada, niágara branca, bordô, syrah, cabernet sauvignon e sauvignon blanc.

Todas produzidas por enxertia de mesa – técnica usada pelos maiores países produtores de vinho da Europa – adaptada pelo Núcleo Tecnológico Epamig Uva e Vinho, e desenvolvida no campo experimental da empresa em Caldas, no Sul de Minas, que há 80 anos atua na vitivinicultura nacional. Essa técnica, segundo o pesquisador da Epamig Murilo de Albuquerque, agrônomo e especialista em vitivinicultura, garante a uniformidade, a saúde e a qualidade genética das mudas.

“Quando o enxerto é feito no campo, o processo de pegamento é mais demorado e ainda há risco de contaminação das mudas”, assegura Murilo, referência na técnica de dupla poda da videira, método que possibilitou a produção de vinhos finos de qualidade na região Sul do estado e da Serra da Mantiqueira.

  Segundo ele, a enxertia de mesa garante mais longevidade das videiras e a redução do custo, já que o frete desse tipo de muda fica mais em conta, pois ela não tem torrão de terra e também a garantia de plantar um material sadio, sem viroses, com melhor potencial produtivo e qualitativo. Minas Gerais, segundo o pesquisador, é hoje o maior produtor do Brasil de mudas feitas por essa técnica. Mudas com torrão, segundo Murilo, são mais propensas a contaminação por pragas e bactérias encontradas na terra.

De acordo com o técnico em agropecuária do campo experimental de Caldas Daniel Rodrigues, existe um cuidado com o modo de corte das mudas, que é feito por uma máquina, com o tamanho das estacas, a hidratação. “Utilizamos ainda uma parafina importada, que facilita que o enxerto brote”, conta.

PRECOCE
Para o vitivinicultor José Procópio Stella, as mudas por enxertia garantiram precocidade e produtividade na ampliação do seu parreiral, em Andradas, também no Sul de Minas. “Temos uma coleção com 95 variedades de uvas, mas hoje produzo mais syrah, sauvignon blanc e bordô”, conta o produtor.

As mudas, segundo Murilo de Albuquerque, são comercializadas sempre no segundo semestre do ano, mas começam a ser plantadas entre novembro e dezembro. Para garantir a qualidade, afirma o especialista, elas são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
 
ADEGA EXPERIMENTAL
O Campo Experimental da Epamig em Caldas também abriga a única adega enológica experimental do Sudeste do Brasil. Criada em 1936 e ligada ao Ministério da Agricultura, a unidade foi, ao lado das estações experimentais de Caxias do Sul (RS) e Jundiaí (SP), um dos três primeiros centros de pesquisa especializados em uva e vinho do país.

A vinícola, que completa 80 anos este ano, funciona como um teste final de desempenho da pesquisa do campo. O vinho produzido pela Epamig, dos tipos bordô e syrah, é comercializado no próprio campo experimental com o rótulo da empresa.

 
À VENDA
  Quantidade: entre 50 mil e 70 mil mudas;
  Preços: variam de R$ 5,50 a R$ 10, dependendo da quantidade de mudas compradas;
  Pedido mínimo: 25 plantas;
  Quando: as mudas estarão disponíveis a partir de agosto;
  Como comprar: os produtores interessados nas mudas devem fazer suas reservas pelo telefone (35) 3735-1101 ou pelo e-mail cecd@epamig.br.

Fonte: Estado de Minas (http://vinho.one/2sCrx)
Por Alessandra Mello. Foto: Didi Rodriges/EM


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