Consumido com moderação, vinho previne doenças do coração

No entanto, a quantidade de vinho recomendada para trazer os benefícios é de apenas um a dois cálices por dia, no máximo

Com a chegada da Semana Santa, várias famílias já estão se mobilizando para adquirir os produtos da época, e, entre eles, um item que dificilmente falta na ceia pascal é um líquido conhecido pelo seu viés religioso, assim como uma série de especificidades do seu modo de fabricação: o vinho. Bebida milenar, originada da uva e de presença marcante nas celebrações cristãs, o vinho também é um alimento saudável que previne contra doenças, e possibilita uma série de benefícios a quem o consome moderadamente.

O cardiologista Dr. Jadelson Andrade explica que os vinhos são ricos em fitoesteróis, substâncias presentes nas uvas roxas, capazes de oxidar elementos do organismo como o LDL colesterol. Dessa forma, se diminuem as placas de gordura nas artérias, favorecendo a circulação sangüínea, e prevenindo contra doenças cardiovasculares. “Essa substância também está presente no vinho branco, porém é o no vinho tinto onde ela se encontra em maior quantidade”, explica o médico.

A substância, que nasce na uva, está presente em maior quantidade no vinho porque durante a fermentação que ocorre para a fabricação da bebida, há um processo metabólico que favorece sua concentração e formação. Além disso, outros elementos presentes no vinho têm uma atividade protetora do DNA e atuam evitando o surgimento de células cancerosas.

  No entanto, a quantidade de vinho recomendada para trazer os benefícios é de apenas um a dois cálices por dia, no máximo – ou, no caso da recente ocasião, algo em torno de três a quatro taças, em um final de semana. O consumo abusivo traz todos os malefícios comuns às bebidas alcoólicas: além da embriaguez, o álcool em excesso compromete o fígado, podendo desenvolver uma cirrose hepática. Por sua vez, a doença crônica progressiva, quando evoluída, pode levar a diversas complicações, como hemorragias digestivas, encefalopatias, e, em casos mais graves, leva à morte do paciente.


Melhor combinação para cada tipo de alimento

Além das ceias pascais, o vinho também costuma incorporar as mais diversas refeições. Mas existem técnicas que deixam o banquete ainda mais saboroso. Por isso, nada melhor do que utilizar da harmonização para aliar os pratos típicos com o melhor vinho da ocasião. “A harmonização é como um casamento perfeito onde nenhum anule o outro: eu como, eu bebo, e no final, não tenho nem o gosto da comida e nem o do vinho na boca”, explica a sommelier da Vinícola Salton, Monica Coletti.

O método mais utilizado para harmonizar o vinho e a comida é por similaridade, onde se pega uma característica do vinho e a assimila com as características do prato. Dessa forma, uma carne muito encorpada e gordurosa, por exemplo, pede um vinho igualmente potente, estruturado, como é o caso dos vinhos tintos com mais tempo de fabricação. Assim, uma carne mais suave – como um peixe servido com molhos leves – é mais adequada com um vinho branco, mais refrescante e mais leve.

Outro método, segundo a sommelier, é por oposição ou contraposição, no qual se utiliza uma característica muito marcante no vinho, unindo com a característica igualmente mais condizente com o gosto do alimento. Um vinho muito doce, por exemplo, normalmente se utilizaria com um chocolate ou uma sobremesa semelhantemente doce, mas, como diz o próprio nome, esse tipo de harmonização se faz pelo contraste. Assim, é possível ousar e servir esta mesma bebida doce com um queijo gorgonzola, que tem gosto forte e muito salgado, e que se contrapõe ao doce do vinho.


Fonte: Tribuna da Bahia (http://vinhos.me/mU6Py)
Por Matheus Fortes. Foto: Romildo de Jesus.


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