Degustação às cegas

Embora seja uma prática bem comum entre as pessoas que trabalham com vinhos e para aquelas que já têm experiência com a bebida, muitas pessoas ainda acham estranho falar em degustação às cegas.

  Essa é uma prática para que as pessoas não saibam que vinho estão provando, sendo uma boa estratégia para evitar pré-julgamentos ou mesmo preconceitos. Ao saber que vinho estamos bebendo, quem é o produtor e, principalmente, o preço, somos influenciados por esses fatores externos. Temos dificuldade de dizer que não gostamos de um vinho caro, assim como ficamos mais à vontade para dizer que um vinho barato não é bom. Por isso, cobrir a garrafa inteira com papel ajuda a termos uma análise mais independente do vinho.

Até já contei essa história aqui em uma coluna anterior, de 2011. O Instituto de Tecnologia de Stanford, na Califórnia, realizou pesquisa com vinte voluntários que provaram cinco amostras de vinhos, custando US$ 5, US$ 10, US$ 25, US$ 45 e US$ 90. Os degustadores deveriam dizer qual o vinho mais prazeroso, recebendo como única informação o preço de cada produto. O resultado foi a vitória fácil do vinho mais caro. Mas tinha um detalhe que não foi divulgado: o vinho de US$ 90 era o mesmo que foi apresentado custando US$ 10. A pesquisa concluiu que o fator preço foi determinante na escolha dos consumidores.

A mais famosa história de como essas degustações são importantes ocorreu em 24 de maio 1976, episódio que ficou conhecido como o “O julgamento de Paris”, responsável por colocar os vinhos norte-americanos entre os mais prestigiados do mundo.

O crítico inglês Steven Spurrier colocou à prova vinhos tintos de Bordeaux e brancos da Borgonha, mas com alguns “intrusos” da Califórnia. O resultado surpreendeu o mundo, porque os melhores colocados não foram os famosos vinhos franceses, mas os desconhecidos norte-americanos.

Entre os brancos a vitória foi do americano Château Montelena 1973 e entre os cinco primeiros colocados três foram da Califórnia. Entre os tintos, a vitória foi menos expressiva, porque, entre os cinco primeiros, dois eram norte-americanos e três franceses, mas o primeiro colocado foi o Stag’s Leap Wine Cellars 1973, com uma pequena margem de vantagem para o famoso Château Mouton Rothschild 1970.

Alguns franceses alegam que houve fraude, que o sistema de pontuação era inadequado, mas, desde então, o mundo vê com novos olhos os vinhos da Califórnia.

  Procure pelo filme “O julgamento de Paris”, de 2008, e divirta-se!
Vino Emporium complementa: 15 filmes para quem ama vinhos e O Vinho Perfeito.

Por fim, sugiro que você realize essa brincadeira com seus amigos um dia desses. Sirva um vinho diferente ou com alguma característica que você deseja ver avaliada pelos amigos. Eles certamente darão respostas mais honestas sem saberem que vinho estão bebendo, sendo que a revelação do vinho é sempre uma surpresa para todos os envolvidos.

Fonte: Correio de Uberlândia (http://vinhos.me/AsBLK)
Por Érika Mesquita. Foto: Divulgação


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