Diferença entre vinho Reserva e Reservado

Você sabe o que é um vinho reserva ou vinho reservado?

Muitas vezes nos deparemos com essas expressões nos rótulos das garrafas e acabamos ficando em dúvida sobre o que isso realmente significa. E a diferença é grande, tanto no bolso quanto no paladar.

  Reserva – A expressão “reserva” surgiu no Velho Mundo, com produtores mais cuidadosos, principalmente na Espanha e na Itália (riserva!). Reserva para o vinho significa, por essa ótica, uma bebida mais trabalhada, mais complexa e que tenha estagiado em madeira no seu processo de amadurecimento e ainda permanecido guardado em garrafa antes de ser posto à venda. Mas cada país e ou região tem suas próprias regras para definir “reserva” e reservado”.

Os italianos classificam como “riserva” o vinho que amadurece pelo menos três anos antes de ser comercializado. Os vinhos do Piemonte, no entanto, chegam a cinco anos, 36 meses em barris de carvalho. Já os chiantis ficam o mínimo de 27 meses em contato com madeira. Isso significa que o vinho faz seu estágio em barris de carvalho e depois descansa na garrafa até começar a ser vendido. Então, um riserva piemontês safra 2012 só chegará ao mercado em 2017, enquanto um Chianti do mesmo ano já está à venda.

Já os espanhóis definem bem essa regra. O vinho na Espanha, para ganhar a classificação de reserva precisa ficar pelo menos um ano em barris de madeira e pelo menos dois anos guardado em garrafa na adega da vinícola, antes de ser vendido ao consumidor final. O vinho com menos um ano em barris de carvalho, na Espanha, é chamado de crianza. Já os “Gran Reserva” descansam, no mínimo, 5 anos, sendo 2 em madeira.

Os franceses e portugueses não obedecem a uma lesgilação específica para classificar vinhos reserva. Na França, esse vinhos mais trabalhados são denominados de “Cuvée” e “Reserve” para apresentar uma bebida superior ou um lote especial daquele vinho. Em Portugal, quando os produtores estampam as expressões “Reserva” ou “Reserva Especial” nos rótulos de seus vinhos é porque se trata de uma bebida diferenciada.

  Reservado – A expressão “reservado” é utilizada mais no Conse Sul, principalmente no Chile e na Argentina e não quer dizer qualidade. Ao contrário, quer dizer que aquele é o vinho mais modesto da vinícola. Nos dois países não existe uma legislação rigorosa para classificar vinhos e aí os produtores tem liberdade para definir sua produção. Por isso, a expressão “reservado” no rótulo de um vinho argentino ou chileno, quer dizer, geralmente, exatamente o contrário do que parece.

  Essa foi uma forma encontrada para atrair principalmente o consumidor brasileiro, maior mercado do vinho dos dois países. Ela refere-se aos vinhos de entrada das vinícolas, que são mais frutados, sem passagem por madeira, sem complexidade para garantir uma guarda além de quatro anos e, normalmente, são produzidos em grande escala. São feitos para o consumo imediato e representam um padrão igual para todas as safras, pois mantém um equilíbrio similar em toda a produção, de ano para ano.

  A ordem correta para o Cone Sul, para apontar a qualidade do vinho é: Reservado, Varietal, Reserva, Reserva Especial, Gran Reserva, Edição Limitada etc.

Mas argentinos e chilenos também produzem os chamados reservas. São vinhos elaborados com mais cuidado, desde a seleção das uvas até o processo de vinificação. Em sua grande maioria (mas existem exceções) para ter essa classificação, na Argentina e no Chile, o vinho passa por barricas de carvalho. Porém, isto não é uma regra. Assim, os produtores destes países tem a liberdade de vender um vinho mais frutado, sem madeira, mas com qualidade superior, chamando-o de “reserva”, mesmo que a bebida não tenha estagiado em madeira.


Fonte: Eder Luiz (http://vinhos.me/2CMgs)
Por Rodrigo Leitão


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