Vinho: a medida da elegância

Taxa de rolha, viagens de enoturismo e mais

  As sociedades estabelecem códigos para desenvolver regras básicas de boa convivência. Tem sido assim há séculos. No mundo do vinho é igual, mas aqui os comandos são velados, alguns quase secretos. O que fazer em cada ocasião? É hora de entrar em cena a etiqueta social do vinho.

Um exemplo: hoje em dia nos reunimos em pequenos banquetes nos endereços mais elegantes da cidade. Quem leu O Banquete consegue se lembrar do elogio de Platão aos entretenimentos da boa gastronomia, das bebidas, da música, dos discursos bem-humorados – e de um bom jogo de sedução. Aí vem a dúvida que pode anteceder essa cena cinematográfica: posso levar um vinho ao restaurante? Sim, é permitido, na maioria dos casos. Porém, certifique-se de ligar com antecedência, perguntar a taxa de serviço (rolha) e informar o rótulo que pretende levar, para não cometer a gafe de encontrar o mesmo vinho na carta da casa. É bastante constrangedor o transtorno causado por clientes que se recusam a pagar pela rolha. Afinal, você não levaria ao restaurante a comida, pratos e utensílios... Não esqueça que o serviço não é o de simplesmente abrir a garrafa. Você terá um profissional para servi-lo, copos adequados e tudo o que o ambiente pode te proporcionar.

Escolha rótulos que estejam fora da carta de vinhos e, de preferência, vinhos raros e especiais. Não justifica comprar um vinho de baixo custo e pouca expressão para um momento em que você espera só o melhor. Depois de aberto o vinho, lembre-se: um bom bate-papo é aquele que permite a participação de todos. Termos técnicos e discursos sobre seus conhecimentos têm limites. Não centralize a conversa no vinho se seus convidados não estiverem preparados. Mesmo em confrarias, o assunto às vezes passa do vinho para as doces futilidades cotidianas. Faz parte.

Em eventos e feiras de degustação, os maiores equívocos são os excessos de perfume e fumo, passar do limite nas taças degustadas e – erro fatal – pedir garrafas aos produtores.

Nas viagens de enoturismo, o código de conduta consiste em programar as visitas com antecedência. Tudo deve ser agendado, e os horários, britanicamente respeitados. Informe-se sobre costumes locais: o que é normal em nosso país pode ser uma ofensa em outras culturas.

O vinho nos oferece a comunidade dos prazeres de requintados banquetes, e a medida da elegância unifica os seres humanos em sociedade. Sociedade, aliás, vem do latim societas, que significa “associação amistosa com outros”.


Fonte: Revista Casa e Jardim (http://vinhos.me/aJMxX)
Por Eliana Araujo. Foto: Confraria Reserva Especial/Divulgação


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