Vinícolas de altitude obtêm apoio para buscar Indicação Geográfica

As 35 vinícolas catarinenses de altitude dão mais um passo para se diferenciar. Conseguiram apoio financeiro e de serviços do Sebrae SC, Epagri e Embrapa para obter o selo de Indicação Geográfica (IG). O presidente da entidade Vinho de Altitude – Produtores e Associados, Guilherme Grando, diz que será um reconhecimento da qualidade e vai impulsionar o turismo. 

De sexta até o dia 26 deste mês, as vinícolas realizam a 4ª Vindima, a festa da colheita da uva.   

  Como está o projeto para conseguir o selo de Indicação Geográfica e quem vai apoiar?
Evoluímos com pesquisas junto à Epagri e Embrapa, mas não havia ainda a formalização e a verba suficiente para fazer a primeira Indicação Geográfica dos vinhos de altitude. A IG será um grande passo porque é a primeira etapa para se conseguir a Denominação de Origem. Mas, por si só, já é um grande feito porque as vinícolas, para ter o selo, deverão estar todas numa questão climática e geográfica pré-pesquisada, com condições de qualidade e testes de vinhos dentro de um padrão único. É um passo muito parecido com o que se faz na Europa. Essas regiões já estavam demarcadas. Muitas pesquisas tinham sido feitas, mas não tínhamos conseguido fechar as parcerias necessárias. Desta vez conseguimos. O Sebrae vai apoiar com R$ 150 mil boa parte da pesquisa. A Embrapa e a Epagri estão investindo o mesmo valor com dinheiro ou serviços. Assim, estamos fazendo agora, oficialmente, a etapa da Indicação Geográfica. Finalizando essa etapa vamos registrar no Inpi e em breve estaremos lançando o IG (selo de Indicação Geográfica) da altitude catarinense.

  As empresas também investem?
O IG está sendo custeado pela Embrapa, Epagri e Sebrae. As vinícolas entraram, no passado, com alguns auxílios a pesquisas da Epagri e Embrapa. 

  Todas as vinícolas de altitude estão incluídas?
Sim. Mas para o vinho receber o selo do IG não basta estar na associação. Vai ter de passar por um crivo de degustações, método de vinificação para que se consiga ganhar o selo. O produtor vai ter de escolher como produzir. Não poderá fazer de qualquer jeito e ter o selo. Este é o primeiro passo para a Denominação de Origem.

  Como será a Denominação de Origem?
A Denominação de Origem Controlada (DOC) é diferente. Água Doce vai ter uma, São Joaquim, outra, a região de Lages (São José do Cerrito) outra. O IG é o primeiro passo para aprofundar mais a qualidade para ter um selo DOC. Não dá para ter um DOC sem passar pelo IG.

  Quais são as vantagens?
A principal é que comercialmente falando, as pessoas podem comprar com a certeza da qualidade pré-estabelecida. Hoje, o consumidor vai a uma loja, vê o preço de um vinho catarinense de altitude, vai poder pagar ou não, acreditar ou não. Quando tiver o selo, vai ter certeza de que é um produto que passou pelo corpo técnico que aprovou a região, que aprovou o vinho, portanto já tem uma segurança da qualidade.

  Muitos consumidores reclamam que os vinhos de altitude de SC são caros. O que pesa nos preços?
O vinho não é tão caro assim. O que é caro são os tributos. Hoje, num vinho nacional, 60% do preço da garrafa são impostos. Um segundo motivo é que produzir qualidade com o custo Brasil não é fácil. É possível comprar garrafas mais baratas, outros itens mais baratos, usar barricas (de carvalho) várias vezes, mas nada disso vai fazer o vinho chegar ao mercado com a qualidade necessária. Vinhos bons de outros países também são caros. Os do dia a dia são mais acessíveis lá fora porque o vinho é tributado como alimento e não como bebida alcoólica como faz o Brasil. 

  Quais são as expectativas para a 4ª Vindima?
Esperamos um crescimento de 10%. Ano passado recebemos 50 mil pessoas. Se formos pensar no tamanho das cidades envolvidas, é muito turista numa região que antes nem era visitada e principalmente nessa época que não é de frio. Na maioria das cidades a rede hoteleira está lotada.

  Como avalia o enoturismo em SC?
Eu sempre brinco que existe turismo sem vinho, mas não existe vinho sem turismo. Então, não há como desenvolver vinícolas sem o turismo ao lado. Por isso, todas estão buscando criar no município ou na propriedade atrativos como restaurante, hotel ou receptivo para passar o dia. Além disso, quando você traz turista tem que melhorar a rede hoteleira, o comércio. As cidades estão acordando para um maior embelezamento, melhor comunicação. Tudo isso traz benefícios muito grandes para a nossa região que tem um dos piores IDHs do Estado. 

  Quais são os principais números das vinícolas de altitude de SC?
Para este ano, estima-se um faturamento de R$ 150 milhões, oferta de 1,4 milhão de garrafas. Parte desse faturamento vem do turismo e o que agrega nele, e parte vem dos vinhos. Hoje são 35 vinícolas dentro da associação, sendo 20 já com unidade para elaboração de vinhos e marca no mercado. Quinze produzem uvas e farão lançamentos nos próximos anos.

Fonte: Diário Catarinense (http://vinho.one/k8Haj)
Por Estela Benetti. Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS


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